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12 de maio de 2026·6 min

O CAC honesto: como calcular o custo real de aquisição que ninguém te mostra

A maioria das agências te mostra um CAC bonito que não bate com o que sai da conta. Esse post desconstrói a fórmula e mostra o que tá faltando.

Quase toda agência que apresenta resultado pro cliente faz a mesma conta:

CAC = gasto em mídia / novos clientes

E o número fica bonito. R$ 80 por cliente, R$ 120, R$ 200. Vai depender do segmento.

O problema é que essa fórmula está incompleta. Ela mede o custo de adquirir cliente via plataforma, não o custo real do seu negócio. E quando você decide escalar com base nela, descobre que a operação não bate o resultado prometido.

O que está faltando

Pra ter um CAC honesto, você precisa somar tudo que foi gasto pra trazer aquele cliente:

  • Mídia paga — Google, Meta, TikTok, LinkedIn. O óbvio.
  • Fee da agência — quem operou as campanhas precisa ser pago.
  • Ferramentas — CRM, tracking, atribuição, plataforma de email, BI.
  • Time interno — horas do seu time envolvido em criativo, atendimento, conversão.
  • Comissões de vendedor / SDR — se um humano fechou a venda, ele custou.
  • Programas de afiliado / parceria — comissão paga a parceiros.
  • Brindes, frete grátis, primeira compra com desconto — se foi usado como incentivo de aquisição, conta.

A diferença entre CAC bruto (só mídia) e CAC real costuma ser de 20% a 70% dependendo do estágio da empresa.

A fórmula que importa

CAC real = (mídia + fee + ferramentas + comissões + incentivos) / clientes novos pagantes

Note que diz clientes pagantes, não leads, não cadastros, não "interessados". Cliente que pagou.

Por que isso muda decisão

Se o seu CAC bruto é R$ 100 e seu LTV bruto é R$ 350, a regra de bolso diz que você está em boa forma (razão 3.5:1).

Mas se o CAC real é R$ 180 (com todos os custos) e o LTV em margem bruta é R$ 200 (depois de COGS, frete, impostos), você está sangrando. Cada cliente novo deixa R$ 20 de lucro — e você precisa cobrir custo fixo da operação com isso.

A primeira métrica te faz acelerar. A segunda te faz parar e revisar.

O caso simples

Imagine uma e-commerce que investe R$ 30.000 em mídia/mês e gera 300 clientes novos. CAC bruto: R$ 100.

Agora some:

  • Fee de agência: R$ 6.000
  • Stack de ferramentas (Klaviyo, Shopify, tracking): R$ 1.500
  • Comissão de afiliados: R$ 3.000
  • Time interno (10% do salário do gerente de marketing dedicado ao canal): R$ 1.500

Custo total: R$ 42.000. CAC real: R$ 140.

Diferença de 40%. Em volume, são R$ 12.000/mês que estavam "fora da conta" — e que precisam ser cobertos pela margem do produto.

Como começar a fazer melhor

  1. Liste todos os custos envolvidos na aquisição — sem omitir nada porque "é pequeno".
  2. Categorize: custo direto de mídia, fee operacional, ferramentas, humano, incentivo.
  3. Calcule o CAC em duas versões: bruto e real. Você vai usar as duas em contextos diferentes.
  4. Compare com LTV em margem bruta (não em receita). A razão que importa é LTV margem ÷ CAC real.

Se você quer um atalho, usa a calculadora de CAC do site — já vem com os campos certos.

A verdade desconfortável

A maioria das agências não calcula CAC real porque o número bruto vende melhor. É mais fácil mostrar "olha, baixei seu CAC em 30%" do que dizer "o seu CAC sempre foi 40% maior, agora baixou 15% e ainda continua sendo o número que importa".

A Vértice trabalha com a segunda versão. Você prefere ouvir a verdade ou ouvir o que cabe no slide bonito?

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